Email marketing… ainda é uma cena?

Nos últimos anos, verifiquei que havia novamente uma forte aposta na comunicação através de Email Marketing, embora a minha experiência diga o contrário.

O Email foi a primeira forma de utilização da Internet, que rapidamente se popularizou pela forma rápida como era possível remeter uma mensagem para um ou vários utilizadores. Não tardou até os “advertisers” perceberem o potencial desta ferramenta.

Naquela altura (eu só criei o meu primeiro email com o Hotmail), era quase mágico receber um email. Era quase um acontecimento. Para os tais “advertisers” era efectivamente uma mina de ouro. Hoje, as nossas Inboxes estão cheias de emails por abrir e 99,9% dos emails que recebemos são… isso mesmo, Email Marketing: Newsletters, promoções, novidades, etc.

Numa era em que é possível utilizar as redes sociais e meios mais clássicos para comunicar, porque razão existe esta aparente nova fixação pelo Email Marketing, quando o botão “Spam” ou “Junk email” está rapidamente acessível? Quando um email lido, não é necessariamente lido. Quando alguns sectores de actividade evitam remeter emails com links, porque as boas práticas recomendam que o façam, em virtude da prevenção de situações de Phishing. Então…  Qual é o segredo?

Fazendo uma pesquisa pela web, percebemos que existe um gap.

Todos nós já ouvimos a frase: “Temos que estar onde estão os nossos clientes estão.” Actualmente, isso pode ser verdade quando pensamos num Facebook ou no Twitter (por mera curiosidade, a taxa de penetração do Twitter em Portugal é baixa… cerca de 18%). No entanto, há clientes que não utilizam nada para além do email, até porque, na maior parte dos casos, necessitam de um endereço de email para fazer registos em serviços online. De resto, desde o início da web como a conhecemos, que o email era a nossa primeira representação digital, o nosso primeiro endereço digital público pessoal. Sem dúvida, uma audiência gigantesca que pode ser atingida com um custo muito baixo e com uma eficácia acima de outros meios.

Mais recentemente, ferramentas como o MailChimp (e não só) ofereceram outras features ao email, para além do custo baixo e eficácia, tornou-se trackable, targetable e escalável, integrando-se facilmente em estratégias de comunicação omnicanal.

Depois de fazer este enquadramento, ficarão a pensar que sou um defensor do “Email Marketing”. Errado!

Como disse o Gary Vaynerchuk na Web Summit, uma campanha comunicada através de um Popup em ambiente mobile com um botão “Fechar” muito pequeno, terá sempre duas perspectivas: A do cliente/utilizador que não conseguiu fechar o anúncio e definitivamente não vai comprar mais nada daquela marca; E da empresa/agência de meios que verifica o número de impressões daquele anúncio é espectacular, esquecendo que se calhar foi um erro de UX que gerou aqueles resultados.

É por isso, que não consigo entender a insistência no Email Marketing. Sempre me pareceu que algo está errado. Muito errado. E acho que o Gary Vaynerchuk responde à minha dúvida. Será que alguém mede a real eficácia de uma campanha de Email Marketing? Só para dar um exemplo… existe alguma agência ou empresa que ajusta a sua lista de Emails, quando se verifica que um determinado utilizador não lê o email, porque simplesmente o categorizou como Spam ou o elimina sempre? Será que vale a pena insistir enviar emails para esse utilizador?

E o que vão fazer as empresas e agências, quando entrar em vigor a 25 de Maio de 2018, a General Data Protection Regulation (GDPR), no âmbito da protecção de dados no espaço da União Europeia e que obriga ao Opt-in dos utilizadores para que possam receber comunicações?

Bem sei que nos dias de hoje, o Email Marketing “is a thing” e toda a gente anda com uma preocupante fixação neste meio, mas não consigo ter o mesmo fascínio. Simplesmente não consigo. E por isso, que deixo esta pergunta ao mundo e questiono quem está desse lado, que percepção e ideia têm sobre esta problemática do “Email Marketing”? Estou completamente errado? Faz sentido a minha dúvida?

 

  • Contramapa

    Olha, concordo com o que estás a dizer, mas acho que o e-mail marketing ainda “vive”. Não para todos os utilizadores, todos os fãs, todos clientes, mas para uma pequena parte. Os mais fieis, ou “engaged”. Por exemplo: eu sou fã de uma centena de coisas no facebook (que me aparecem ou não no feed), mas escolho receber apenas umas 5 ou 6 newsletters. (Recebo mais, mas todas as outras elimino ou desinscrevo-me). Mas para aquelas 6 interesso-me mesmo. Leio os e-mails, gosto de saber das novidades e às vezes até clico. Acho que o e-mail marketing vai continuar a ter (pelo menos por uns tempos) essa função: ter uma comunicação com aqueles que se interessam mesmo, que querem saber (não apenas aqueles que compram os nossos produtos)… e muitas vezes esses são os que mais interessam a uma marca!
    PS: Há pouco tempo criei uma newsletter para o meu blog de viagens, no Mailchimp, lá está, e estou a ter esse mesmo resultado. Até até algumas pessoas que fazem reply ao e-mail e estabelecem contacto.