Web Summit 2016

Depois do sucesso da primeira edição da Web Summit em Lisboa, não podia deixar de aproveitar o momento para analisar o empreendedorismo em Portugal.

Obviamente não podia deixar de escrever sobre um evento que acompanho de forma mais próxima desde 2014 e que me deixou bastante entusiasmado quando o Paddy Cosgrave lançou o desafio e Lisboa podia receber o Web Summit. Sabendo claramente o enquadramento do evento e conhecendo leque de oradores que costuma receber, a melhor coisa que pode acontecer a Portugal e a Lisboa será o impacto a médio/longo prazo da realização do Web Summit.

Infelizmente, como vem sendo habitual em Portugal, também com o Web Summit, assim que se aproximou a data de início da conferência, surgiram as críticas em torno da realização do evento em Lisboa. O habitual. Quem paga o quê e quanto? O evento é uma fraude. Já ninguém pode com o tema das startups e do empreendedorismo. Agora todos querem ser patrões. Etc. Etc. Etc.

Vamos lá por partes. Há aqui alguns pontos que gostaria de analisar:

  • Startups e Empreendedorismo
  • Investimento no Web Summit e impactos no futuro

De facto, não podemos ser todos “patrões”, “founders”, “co-founders” e “CEOs” e expressões como “startups”, “empreendedorismo” vulgarizaram-se e tornaram-se clichés e alvo de críticas. De resto, como é tradição em Portugal, quando a moda deixa de ser moda. Agora, o povo tem memória curta. É preciso não esquecer, que a maioria do emprego criado através das micro, pequenas e médias empresas, sendo reconhecido que as empresas jovens e de pequena dimensão são as principais responsáveis pela criação de novos postos de trabalho. Em 2014, 63% do novo emprego criado foi da responsabilidade das micro e pequenas empresas.

Com a bolha da Internet, surgiu finalmente o termo “startup” para distinguir as empresas tecnológicas, independentemente da sua dimensão e que tiveram um rápido crescimento. E foi precisamente a web e as novas plataformas de desenvolvimento tecnológico que permitiram que muitos dos recém-licenciados optassem pela criação da sua própria empresa. Bem sei, que muitos não estão dispostos a aceitar o tipo de vida e o volume de trabalho que vão ter, para viver o tal sonho do empreendedorismo e das startups, precisamente por causa da ilusão criada pelas empresas de Silicon Valley. E o mais certo é falharem. E ainda bem. Tem que fazer parte do processo. Isso é culturalmente aceite nos EUA. Em Portugal, nem por isso. Mas o cenário parece estar a mudar.

Mundo Web Summit

Com este contexto, foi natural a escolha do Web Summit, com as naturais contrapartidas negociadas com o Governo de Portugal (ou acham mesmo que o voto popular no Twitter era suficiente?). Mas como em tudo na vida, é um investimento que pode trazer frutos a médio/longo prazo (1,3 milhões de euros por cada ano): Retorno direto de 200 milhões de euros (hóteis, restauração, etc), aumento da notoriedade do país e a presença mais de mil investidores em Lisboa, muitos deles pela primeira vez e muitos deles, figuras de referência na Web, influenciadores, podem ajudar a colocar Lisboa e Portugal no mapa, porque ainda devo ser dos únicos que acha que Portugal está efectivamente no centro do mundo.

Nota 1: Infelizmente não tive oportunidade de marcar presença no evento.

Nota 2: Ainda o problema de Wifi na sessão de abertura do Web Summit: Entre acusações entre a PT e a Vodafone, não vi ninguém apontar o dedo à aplicação do Facebook (ou ninguém reparou nas notificações do Instagram que iam chegando?).